Curitiba inicia obras da primeira Via Calma e acelera outros projetos de ciclomobilidade

Foto-  Jaelson Lucas

Foto – Jaelson Lucas

A primeira Via Calma de Curitiba está sendo instalada na Avenida Sete de Setembro, entre a Rua Mariano Torres e a Praça do Japão, na região central da cidade, com extensão de 6,3 km. “Essa obra será um marco na cidade de Curitiba, pois dá prioridade ao ciclista e protege o pedestre. Tudo isso, além de harmonizar e humanizar o trânsito, reforça o compromisso de Curitiba com a multimodalidade”, assegura o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), Sérgio Póvoa Pires.

Na Via Calma da Avenida Sete de Setembro, os ciclistas passarão a transitar exclusivamente pelo lado direito da via, sobre área demarcada em linha tracejada. A velocidade máxima permitida para carros e motos é de 30 km/hora. Para tanto, além de ampla sinalização horizontal e vertical, haverá a instalação de amplas travessias elevadas que obrigam os veículos automotores a reduzir a velocidade. Os ônibus permanecerão circulando nas canaletas exclusivas.

O projeto da Via Calma foi amparado em uma pesquisa por amostragem, realizada em parceria entre o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) e a Ciclo Iguaçu, em agosto de 2013. O levantamento revelou que 67% dos ciclistas que trafegam na Avenida Sete de Setembro usam a bicicleta para trabalhar. Mais da metade (52%) fazem uso diário da bicicleta para este fim. Os ciclistas entrevistados eram provenientes de 54 bairros de Curitiba e também da Região Metropolitana, com prevalência dos bairros Centro, Água Verde, Batel, Portão, Alto da XV, Cabral, Rebouças, Cajuru, Pinheirinho e Centro Cívico.

Bicicaixas
Instaladas nos cruzamentos da Via Calma da Avenida Sete de Setembro, as bicicaixas vão criar uma área especial de parada para bicicletas nos semáforos, entre a faixa de pedestres e a área de veículos motorizados. Dessa forma, vão proteger e priorizar os ciclistas quando abrir o sinal. Também irão garantir mais segurança aos ciclistas nos cruzamentos e assegurar a prioridade para as bicicletas na realização de conversões.

Alternativa para retirar os ciclistas da canaleta
As pesquisas realizadas em Curitiba indicam que os ciclistas deixam de circular pelas canaletas exclusivas para o BRT nos locais onde são implantadas vias cicláveis. Dessa forma, acidentes são evitados e vidas são poupadas. A medida torna-se ainda mais importante em função da possibilidade de ultrapassagem dos ônibus dentro da canaleta em função do alargamento das pistas na Avenida Sete de Setembro.

Primeira Ciclorrota de Curitiba já foi planejada
A primeira ciclorrota de Curitiba deverá ser instalada na Rua Atílio Bório. A escolha do local tem como base um levantamento feito pela Ciclo Iguaçu indicando rotas preferenciais de tráfego de ciclistas. A ciclorrota da Rua Atílio Bório vai atravessar três bairros de Curitiba, permitindo a ligação por bicicleta desde a Avenida Afonso Camargo, no bairro Cajuru, até a Avenida João Gualberto no bairro Juvevê. O projeto está pronto e a ciclorrota deverá ser implantada em 2014.

Microrrede cicloviária da CIC está sendo projetada
Com o objetivo de atender os trabalhadores e moradores da Cidade Industrial de Curitiba, está sendo elaborada a Microrrede Cicloviária da CIC. O projeto irá conectar áreas dos bairros Fazendinha e CIC fazendo a ligação cicloviária entre a Rua João Bettega, a Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira e o futuro Terminal CIC Sul. A Microrrede Cicloviária da CIC terá 19,5 km de extensão, sendo, aproximadamente 15 km de vias estruturantes e 4,5 km de ciclorrotas.

Vias cicláveis em implantação
Estão em fase de implantação algumas vias cicláveis em Curitiba. Na Avenida Marechal Floriano Peixoto a infraestrutura é de 3.84 km. Na Linha Verde Sul/Sul, as vias cicláveis alcançam 1.76 km. Já na Avenida Comendador Franco serão implantados 19,2 km de ciclovias até maio de 2014.

Instalação de paraciclos
Os paraciclos são estruturas metálicas utilizadas para o estacionamento de bicicletas. Serão instalados em breve 25 conjuntos de paraciclos em Curitiba, totalizando 240 vagas. Alguns deles serão colocados em parques e praças, sobre áreas de calçamento. Outros deverão ser instalados junto às vias de tráfego, a 45º, para garantir a segurança dos ciclistas e de suas bicicletas.

Parque de Bolso do Ciclista
A Prefeitura Municipal de Curitiba vai instalar, nos próximos meses, o Parque de Bolso do Ciclista. Trata-se de uma pequena área localizada na esquina das ruas São Francisco e Presidente Faria, no centro de Curitiba. O objetivo é garantir o encontro de ciclistas numa área da cidade que é emblemática para o movimento cicloativista. É nesse local que está sendo pintado um mural concebido pela artista pela artista plástica Mona Caron.

Decreto assegura área para estacionamento de bicicletas
Está pronto o decreto que regulamenta a Lei 6.273/81 que dispõe sobre as áreas de estacionamento de bicicletas e motocicletas em prédios residenciais e áreas com usos não habitacionais, tais como comércio e serviços. O decreto assegura a proporção de 5% de espaço para o estacionamento de bicicletas e motocicletas sobre a área mínima exigida para o estacionamento de veículos. Também prevê que o local destinado às vagas para bicicletas e motos deverá localizar-se, preferencialmente, próximo dos acessos de entrada e saída dos estacionamentos, para evitar conflitos entre diferentes modais em pontos de manobra.

A nova legislação também determina a obrigatoriedade de sinalização gráfica para indicar o acesso aos estacionamentos. Além disso, placas deverão indicar a existência de vagas de estacionamento de bicicletas e motos nos imóveis de usos não habitacionais. Nesses locais, os estacionamentos deverão contar com dispositivo para fixação de bicicletas com segurança, tais como paraciclos ou barra de ferro rígida, com ganchos deslizantes que permitam pendurar os equipamentos.

Publicado originalmente aqui

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